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Plano de trade: os 6 campos de um plano que funciona (modelo)

Plano de trade: os 6 campos de um plano que funciona (modelo)
Por: Emerson Rodrigues
Dia 15/07/2026 23:56

Se outro trader não chegar às mesmas entradas lendo o seu plano, ele não é um plano.

Um plano de trade funcional tem seis campos: gatilho de entrada, janela de horário, alvo, stop, condição de invalidação e risco por operação. Todos precisam ser objetivos o bastante para que outra pessoa, lendo o plano, tomasse a mesma decisão que você. Se algum campo depende de interpretação no calor do pregão, ele não é um plano — é uma intenção.

O teste que separa plano de intenção

Antes dos seis campos, um critério. Pegue o seu plano e entregue para outro trader, sem explicação verbal. Se ele operar o dia e chegar às mesmas entradas e saídas que você, o plano existe. Se ele precisar perguntar "mas e se o mercado abrir em gap?" ou "quanto é 'força compradora'?", o plano não existe — o que existe é uma descrição do que você acha que faz.

Esse teste é duro de propósito. A função do plano é retirar a decisão do momento da pressão, e ele só faz isso se estiver decidido de antemão. Um plano que ainda exige julgamento na hora da entrada não removeu nada — apenas moveu a improvisação para dentro de um documento.

É por isso que a maior parte dos "planos de trade" não sobrevive à primeira sequência ruim. Eles não eram planos.

Os seis campos

1. Gatilho de entrada

A condição objetiva, verificável, que autoriza a entrada. Não é uma leitura de mercado; é um evento que ou aconteceu ou não aconteceu.

Não é gatilho: "entro quando o mercado mostrar força compradora."
É gatilho: "entro na compra quando o preço romper a máxima dos primeiros 15 minutos e um candle de 5 min fechar acima dela."

A diferença: o segundo é falsificável. Você olha o gráfico e sabe, sem discussão, se aconteceu.

2. Janela de horário

Quando o setup é válido. Muitos operacionais funcionam bem numa faixa e mal em outra — o mesmo rompimento que vale às 10h vale muito menos às 16h, quando a liquidez muda. Sem esse campo, você opera o mesmo setup em condições diferentes e mistura duas estatísticas.

Exemplo: "válido das 9h30 às 12h. Fora disso, não opero, mesmo que o gatilho apareça."

A segunda frase é a parte que importa. A restrição só é restrição se ela vale contra a sua vontade.

3. Alvo

Onde a operação é encerrada no lucro. Precisa ser definido no momento da entrada, junto com o stop — não depois, quando a operação já está a favor e a ganância entra na conta.

Exemplo: "alvo a 2× a distância do stop. Stop de 150 pontos → alvo de 300 pontos."

Alvo em múltiplo do stop tem uma vantagem: ele fixa o payoff. Se você opera sempre com alvo de 2R, o seu payoff bruto é 2,0 por construção, e o win rate de breakeven vira 1 ÷ 3 = 33%. Você sabe exatamente qual taxa de acerto precisa ter — a relação está detalhada em Win rate: como calcular, quanto é "bom" e por que sozinho engana.

4. Stop

Onde a operação é encerrada no prejuízo. Definido pela estrutura do gráfico, não pelo quanto você aceita perder — o quanto você aceita perder é o campo 6, e é ele que ajusta o tamanho da posição.

Exemplo: "stop abaixo da mínima do candle de rompimento, com margem de 20 pontos."

Ordem de stop enviada junto com a entrada, sempre. Stop mental não é stop — é a intenção de ter um stop, e a intenção evapora exatamente quando você mais precisa dela.

5. Invalidação

O campo que quase todo plano esquece, e o mais valioso depois do gatilho. É a condição que faz você sair da operação sem que o stop tenha sido atingido — porque a tese que motivou a entrada deixou de existir.

Exemplo: "se, 10 minutos após a entrada, o preço não tiver avançado ao menos 40 pontos a favor, encerro no mercado."

Por que isso vale dinheiro: uma operação que entrou por rompimento e não anda não é mais um rompimento — é uma operação presa numa lateralização, com o stop inteiro exposto e nenhuma tese sustentando. Sair dela por R$ 30 é muito melhor que esperar o stop de R$ 200 bater. A invalidação corta perdas antes que elas virem perdas cheias, e é uma das poucas formas legítimas de melhorar o payoff sem mexer no alvo.

6. Risco por operação

Quanto, em reais, essa operação pode custar se o stop bater. Sai de uma porcentagem fixa do caixa, e é o que define o tamanho da posição — nunca o contrário.

Exemplo: "1,5% do caixa. Caixa de R$ 30.000 → R$ 450 por operação."

Com o stop definido no campo 4, o número de contratos é uma divisão: risco em reais ÷ risco por contrato. A conta completa, com o efeito de stops mais largos sobre a posição, está em Quanto arriscar por operação: a conta a partir do seu caixa.

Um plano preenchido

Os seis campos, num setup de rompimento de abertura no mini índice. Este é um modelo estrutural — os parâmetros são ilustrativos e devem sair do seu próprio backtest, não deste artigo.

CampoDefinição
GatilhoCandle de 5 min fecha acima da máxima dos primeiros 15 minutos do pregão. Entrada a mercado na abertura do candle seguinte.
Janela9h45 às 11h30. Fora da janela, não opero — mesmo com gatilho válido.
Alvo2× a distância do stop, contada a partir do preço de entrada.
Stop20 pontos abaixo da mínima do candle de rompimento. Ordem enviada junto com a entrada.
InvalidaçãoSe em 10 minutos o preço não avançou 40 pontos a favor, encerro a mercado.
Risco1,5% do caixa por operação. Caixa R$ 30.000 → R$ 450.

O plano em execução, com números

Segunda-feira. Máxima dos primeiros 15 minutos: 128.400. Às 10h05, um candle de 5 minutos fecha em 128.470 — acima da máxima. Gatilho válido, dentro da janela.

Entrada: 128.480 (abertura do candle seguinte)
Mínima do candle de rompimento: 128.310
Stop: 128.310 − 20 = 128.290
Distância do stop: 128.480 − 128.290 = 190 pontos
Alvo: 128.480 + (190 × 2) = 128.860

Dimensionamento:
Risco por contrato: 190 pontos × R$ 0,20 = R$ 38,00
Contratos: R$ 450 ÷ R$ 38,00 = 11 contratos

Risco real da operação: 11 × R$ 38,00 = R$ 418,00 (dentro do limite de R$ 450)
Retorno se o alvo for atingido: 11 × 380 pontos × R$ 0,20 = R$ 836,00

Repare que nenhuma decisão foi tomada durante a operação. Entrada, stop, alvo, tamanho e critério de saída antecipada estavam todos definidos antes do primeiro clique. O trabalho do pregão vira execução — e execução é a única coisa que o plano deixa para você fazer.

Erros comuns

Escrever o plano e não medir a aderência

Ter um plano e não seguir o plano produz exatamente o mesmo resultado de não ter plano — com o agravante de você acreditar que tem um. A única forma de saber é medir: registre, a cada operação, se você seguiu o plano ou não, e compare a expectância dos dois grupos. É a conta mais reveladora do trading, e está feita em Diário de trades: o que registrar (e por que planilha não basta).

Mudar o plano depois de uma sequência ruim

Cinco stops seguidos são normais em qualquer operacional com win rate abaixo de 60%. Mudar o plano na quinta perda é mudar em reação à variância, não aos dados — e reinicia a contagem da amostra, garantindo que você nunca acumule operações suficientes para saber se o plano funcionava. Plano se muda com dados, depois de cem operações, com a cabeça fria.

Deixar o alvo "aberto"

"Vou deixar correr e ver até onde vai" não é um alvo — é ausência de alvo. E ausência de alvo, na prática, significa que a saída vai ser decidida pela emoção do momento: você realiza cedo quando está nervoso e tarde demais quando está confiante. O payoff vira ruído. Alvo em múltiplo do stop resolve isso e fixa o payoff por construção.

Ter seis planos e chamar todos de "o meu setup"

Se as suas regras mudam conforme o dia, você tem vários operacionais e a estatística de nenhum. Um plano por setup, cada um com os seis campos preenchidos, cada um com a sua própria contagem de operações e a sua própria expectância. Sem essa separação, os números que você calcula não descrevem nada que exista.

Meça se o seu plano está sendo seguido

Escrever o plano é a parte fácil. A parte que muda resultado é descobrir, com número, em quantas operações você o seguiu — e quanto custaram as em que não seguiu.

O InfinityTrader registra a operação junto do plano que a autorizou e separa a expectância das operações dentro e fora do plano. Você vê exatamente o que a improvisação está custando por mês. Teste por 14 dias, tudo liberado, sem cartão.

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