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Custos do day trade: corretagem, emolumentos e o breakeven diário

Custos do day trade: corretagem, emolumentos e o breakeven diário
Por: Emerson Rodrigues
Dia 15/07/2026 23:56

Quanto você precisa fazer por dia só para empatar — e por que quase metade do bruto some.

Os custos do day trade se dividem em variáveis (corretagem, emolumentos, taxa de liquidação e registro, ISS — cobrados por operação) e fixos (plataforma, dados de mercado, mensalidades — cobrados por mês). O breakeven diário é a soma dos dois: custos fixos mensais ÷ dias úteis + custo variável por operação × número de operações. É quanto você precisa fazer por dia só para não perder dinheiro.

Todos os custos, sem esconder nenhum

O trader médio conhece a corretagem e ignora o resto. O resto é a maior parte.

Custos por operação (variáveis)

Corretagem. O que a corretora cobra por ordem executada. Pode ser fixa por contrato, fixa por operação ou zero em algumas casas. Atenção: corretagem zero raramente é zero — costuma vir acompanhada de spread maior ou de outra cobrança embutida.

Emolumentos. Taxa da B3 sobre o volume negociado. Pequena por operação, relevante no acumulado de quem opera muito.

Taxa de liquidação e registro. Também da B3, também sobre volume. Costuma vir somada aos emolumentos na nota de corretagem, sob o rótulo de "taxas da bolsa".

ISS. Imposto sobre serviços, incidente sobre a corretagem. Se a corretagem for zero, o ISS também é.

Custos por mês (fixos)

Plataforma de negociação. A mensalidade do software onde você opera. Varia de gratuito a algumas centenas de reais.

Dados de mercado. O sinal em tempo real da B3. Cobrado separadamente na maioria dos casos.

Ferramentas de apoio. Análise, gestão de operações, replay, o que você usar.

A diferença entre as duas categorias é o que torna a conta interessante. O custo variável escala com a sua frequência: se você opera o dobro, paga o dobro. O custo fixo, não — ele é o mesmo se você fizer uma operação no mês ou quatrocentas. Isso significa que o custo fixo por operação cai quanto mais você opera, o que empurra o trader na direção de operar mais. Cuidado com esse incentivo: operar mais também multiplica o custo variável, e se a sua expectância por trade for baixa, mais frequência acelera o prejuízo em vez de diluí-lo.

A planilha de custos, com números

Vamos montar a estrutura de custos de um trader de mini índice. Todos os valores são ilustrativos — os seus estarão na sua nota de corretagem e nas suas faturas.

Custos fixos mensais

ItemValor
Plataforma de negociaçãoR$ 120,00
Dados de mercado (B3, tempo real)R$ 60,00
Ferramenta de gestão de operaçõesR$ 30,00
Total fixoR$ 210,00 / mês

Com 21 dias úteis no mês:

R$ 210,00 ÷ 21 = R$ 10,00 por pregão

Esse valor você paga antes de clicar em qualquer botão. É o aluguel da mesa.

Custos variáveis por operação

Operação padrão: 10 contratos de mini índice, ida e volta.

ItemCálculoValor
CorretagemR$ 0,50 por contrato × 10 × 2 pontasR$ 10,00
Emolumentos + liquidaçãotaxa da B3 sobre o volumeR$ 3,40
ISS (5% sobre corretagem)5% × R$ 10,00R$ 0,50
Total por operaçãoR$ 13,90

O breakeven diário

Esse trader faz 4 operações por pregão.

Custo variável do dia:
4 × R$ 13,90 = R$ 55,60

Custo fixo do dia:
R$ 210 ÷ 21 = R$ 10,00

Breakeven diário:
R$ 55,60 + R$ 10,00 = R$ 65,60

Antes de ganhar um centavo, ele precisa fazer R$ 65,60 no pregão. Se o dia fechou em R$ 60,00 de resultado bruto, ele perdeu R$ 5,60 — apesar de o extrato de operações mostrar verde.

No mês: R$ 65,60 × 21 = R$ 1.377,60 de custo total. É quanto o operacional dele precisa gerar de resultado bruto para empatar.

Bruto contra líquido: onde o mês se perde

Agora a parte que muda decisões. Esse mesmo trader tem uma expectância bruta de +0,17 R por operação, arriscando R$ 200 por trade. Ou seja, R$ 34 de resultado bruto esperado por operação.

Quatro operações por dia, 21 dias:

Resultado bruto do mês:
84 operações × R$ 34 = R$ 2.856

Custos do mês:
84 × R$ 13,90 (variável) = R$ 1.167,60
+ R$ 210,00 (fixo) = R$ 1.377,60

Resultado líquido:
R$ 2.856 − R$ 1.377,60 = R$ 1.478,40

Os custos consumiram 48% do resultado bruto. Quase metade. Esse é o número que praticamente ninguém calcula, e é o que explica a distância entre a planilha otimista e o extrato real.

Traduzindo para a métrica que importa: a expectância líquida dele é

(R$ 34 − R$ 13,90 − R$ 2,50 de fixo rateado) ÷ R$ 200 = +0,088 R por operação

De +0,17 R para +0,088 R. O operacional continua lucrativo — mas com metade da folga que ele imaginava ter. Se a expectância bruta dele fosse +0,08 R em vez de +0,17 R, o operacional seria deficitário depois dos custos, apesar de aparentar lucro em toda planilha que ignora taxas. A fórmula da expectância e o que ela significa estão em Expectância matemática no trading: fórmula, exemplos e calculadora.

O que fazer com esse número

A conta acima abre três alavancas, e só três:

Reduzir o custo variável. Negociar corretagem, migrar de corretora, operar um ativo com taxas menores. Cada real cortado aqui é multiplicado pelo número de operações do mês.

Reduzir a frequência. Se metade das suas operações tem expectância marginal, elas provavelmente não pagam o próprio custo. Cortar as operações fracas eleva o resultado líquido mesmo reduzindo o bruto — porque corta o custo antes de cortar o lucro.

Aumentar a expectância bruta. Alvo mais longo, stop mais disciplinado, melhor seleção de entrada. É a alavanca mais difícil e a única que não tem teto. É o assunto de Win rate: como calcular, quanto é "bom" e por que sozinho engana.

Erros comuns

Olhar só a corretagem

No exemplo acima, a corretagem é R$ 10,00 dos R$ 13,90 de custo variável — 72%. Mas em corretoras de corretagem zero, os R$ 3,90 restantes viram 100% do custo, e o trader que acha que "não paga nada" está pagando R$ 3,90 por operação sem perceber. Emolumentos e taxas da B3 não são opcionais.

Ignorar o custo fixo porque "é pouco"

R$ 210 por mês parece irrelevante ao lado de um resultado de R$ 2.856. Mas ele não é proporcional ao seu resultado — ele é cobrado igual num mês ruim. Num mês em que você fez R$ 400 de bruto, os R$ 210 fixos representam mais da metade. O custo fixo dói exatamente quando você menos pode pagá-lo.

Não recalcular quando a frequência muda

Se você passar de 4 para 8 operações por dia, o custo variável dobra e o breakeven diário salta de R$ 65,60 para R$ 121,20. Se as quatro operações adicionais tiverem expectância menor que as primeiras — e normalmente têm, porque as melhores oportunidades são as primeiras que você pega —, você está trabalhando o dobro para ganhar menos.

Confundir resultado bruto com dinheiro

A tela da plataforma mostra o resultado das operações. Ela não desconta corretagem, não desconta emolumentos e não sabe que você paga plataforma. Um dia "positivo em R$ 50" é, no exemplo, um dia de prejuízo de R$ 15,60. Confiar na tela é a forma mais comum de operar meses no vermelho achando que se está no azul.

Descubra o seu breakeven diário

A conta de custos não é difícil, mas ela precisa ser feita com os seus números — a sua corretagem, a sua frequência, a sua estrutura fixa. É a conta que decide se a sua expectância positiva sobrevive ao mundo real.

A Calculadora do Trader mostra o seu breakeven diário e a expectância líquida depois dos custos, a partir dos seus valores. Gratuita, sem cadastro.

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